quarta-feira, junho 15, 2011
Novo causo da Muié
Lembrei de uma frase que minha mamis dizia às vezes , na maioria delas pro meu pai num domingo em que ele dizia que ia fazer o churrasco para ela "sair da cozinha":
- "é o ajutório que me atrapalha."
Como falei, resolvi trabalhar novamente no Jockey Club do RGS com um cavalo traumatizado no partidouro.
Tem um treinador que não é violento, e gostei do jóquei, é tranquilo e gosta (!) de cavalos. O proprietário é um criador que mostra ter uns quantos neurnios dentro do cérebro da cabeça dele...além do mais eu não aprendo e a esperança é a última que morre.
Mas é brabo. A primeira coisa que ouço ao descer do carro é o estalo de um chicote e "eita cascarra fiádaspu, matungo fedorento". Ai vejo aquelas cenas tristes de sempre na raia que me fizeram pensar na possibilidade de ir trabalhar com algodão nas orelhas e de anteolhos .
Bueno, seguindo o baile. Converso com a turma do cavalo.
- foi a luz, refletores, os outros cavalos.
- não quis entrar no partidouro... foi colocada uma venda nos olhos para entrar...mas ai quando tiramos ela e ele se viu lá dentro {exatamente onde ele tinha medo de entrar (!)} , colou as placas, tentou passar pelo meio das grades e se machucou (dã). Mas ele nunca foi judiado.
- depois nós tentamos colocar ele preso pelo buçal de corrente. firmamos, e quando ele se atirou prendemos bem o buçal e ele ficou se debatendo mas não conseguiu sair.
Ok. Vamos colocar os pingos nos is. A intenção do grupo é de ajudar o cavalo e pode ser também de não judiar dele. Mas acaba que é exatamente o oposto que acontece. Judiaria e atrapalhação.
De boas intenções o inferno está cheio.
É impressionante como o homem subestima o que é dor, desconforto, medo no outro e se o outro em questão for um cavalo, nem se fala. É o véééélho ditato: "Pimenta nos olhos dos outros é colírio." Versão da muié: "Buçal de corrente na cabeça do outro é boina."
Mas vamos lá. A turma (treinador, jóquei, proprietário) é tranquila. O cavalo é extremamente positivo e inteligente. Hoje sai já achando que talvez a luz que vejo no fim do túnel pode não ser um trem.
- "é o ajutório que me atrapalha."
Como falei, resolvi trabalhar novamente no Jockey Club do RGS com um cavalo traumatizado no partidouro.
Tem um treinador que não é violento, e gostei do jóquei, é tranquilo e gosta (!) de cavalos. O proprietário é um criador que mostra ter uns quantos neurnios dentro do cérebro da cabeça dele...além do mais eu não aprendo e a esperança é a última que morre.
Mas é brabo. A primeira coisa que ouço ao descer do carro é o estalo de um chicote e "eita cascarra fiádaspu, matungo fedorento". Ai vejo aquelas cenas tristes de sempre na raia que me fizeram pensar na possibilidade de ir trabalhar com algodão nas orelhas e de anteolhos .
Bueno, seguindo o baile. Converso com a turma do cavalo.
- foi a luz, refletores, os outros cavalos.
- não quis entrar no partidouro... foi colocada uma venda nos olhos para entrar...mas ai quando tiramos ela e ele se viu lá dentro {exatamente onde ele tinha medo de entrar (!)} , colou as placas, tentou passar pelo meio das grades e se machucou (dã). Mas ele nunca foi judiado.
- depois nós tentamos colocar ele preso pelo buçal de corrente. firmamos, e quando ele se atirou prendemos bem o buçal e ele ficou se debatendo mas não conseguiu sair.
Ok. Vamos colocar os pingos nos is. A intenção do grupo é de ajudar o cavalo e pode ser também de não judiar dele. Mas acaba que é exatamente o oposto que acontece. Judiaria e atrapalhação.
De boas intenções o inferno está cheio.
É impressionante como o homem subestima o que é dor, desconforto, medo no outro e se o outro em questão for um cavalo, nem se fala. É o véééélho ditato: "Pimenta nos olhos dos outros é colírio." Versão da muié: "Buçal de corrente na cabeça do outro é boina."
Mas vamos lá. A turma (treinador, jóquei, proprietário) é tranquila. O cavalo é extremamente positivo e inteligente. Hoje sai já achando que talvez a luz que vejo no fim do túnel pode não ser um trem.
terça-feira, junho 14, 2011
PENSANDO NO CONCURSO...
Então tá. Ai vai o resultado.
Foi muito bacana ler e acompanhar os comentários.
Aprendi um bocado também.
Algumas considerações :
- estão de parabéns todos os que se atiraram na ´coisa toda, com coragem, sem medo.
- a primeira coisa que me faz pensar ao ler o conjunto da obra e que quero dividir isso com todos os que por aqui transitam (uia!) é: como uma mesma cena pode gerar tantas interpretações diferentes não é mesmo? E isso é prá voces perceberem o quanto se precisa ainda aprender a linguagem do cavalo. Que é extremamente clara, só que as vezes só é clara prá eles mesmos. Há que se esmeirar para conquistar o entendimento da palavra equina. Que é clara, não mente e só depende do quanto a gente pode sair da maneira humana de pensar e tentar pensar um pouco mais como cavalo.
- para a gente pensar como cavalo, temos que estudar o cavalo. E a informação está ai, a nossa disposição, nas pesquisas, nos trabalhos científicos realizados sobre comportamento, nos livros e na vivencia de cada um. Vamos ler people, vamos fazer cursos (não necessáriamente o meu...mas não me importo ...) e treinar, treinar muito com o legítimo professor.
Tom Dorrance, prá mim um dos pais do real horsemanship, já dizia: observe, lembre e compare!
Só assim voce pode trabalhar de forma correta um cavalo.
Se fizermos o que esse véinho recomenda, ao vermos o filme:
- o tordilho não está com medo ou desconforto. Não não está com as narinas dilatadas, a respiração está normal, a musculatura relaxada. Não há olhar tenso aquele famoso olhar de temor, não tenta se afastar do ferreiro, não tenta se estirar.
- Ele está tão a vontade que se dá ao luxo de prestar atenção em outra coisa lá looonge enquanto sacaneia o ferrador.
- também me parece que está tão treinado nessa brincadeira de fo..er com a vida dos ferreiros, que sabe vários passos da dança, sem nem se atrapalhar.
- não esqueçam que nem todo o cavalo que não se deixa manejar está apavorado ou foi maltratado ou aviltado. E tampouco o homem que o maneja precisa errar paara isso acontecer, basta não acertar..,rsss
O que me faz lembrar de lembrar voces que a linguagem equinaé a mesma, mas as personalidades dos cavalos variam. Nem todo o cavalo é um inseguro ou traumatizado. Há os mais exigentes, que fazem mais perguntas para o homem que planeja liderá-lo.
Sim porque tudo é uma questão de definir papéis ai. Quem segue e quem é seguido, quem é lider e quem é liderado.
Para o cavalo o seu lider será aquele que domina o seu movimento, e dominar o seu movimento é controlar as suas patas e quer mais controle do que pegar uma pata de um cavalo?
Finalmente:
Porque este tordilho não quer ceder a carterinha de motorista pro ferreiro? Porque ele consegue! rsss
O ferreiro não estava com medo, tenso ou agitado. Foi calmo, tentou dar tempo ao bichim...não recuou ou se descontrolou nunca. Devo confessar que sacaneei ele e voces...porque não expliquei que eu pedi pro ferreiro apenas mostrar o que o bichim fazia...sem fazer nada... Mas de qualquer forma, não é desculpa.
Então caonclusão do causo:
A coisa toda rolou exatamente porque existiu um desequilíbrio de recursos entre bipede e quadrúpede, somado ao fato do bicho em questao ter uma personalidade dominadora e pouco respeitosa com quem ele conseguir.
To com sono e amanhã eu continuo a prosa...mas, lendo todos os comentários, estão no caminho certo aqueles que foram pro lado da liderança.
Agora preciso de sugestões ai. O que voces querem que eu faça meus chatinhos...
Comente comentário por comentário, fale mais sobre o tema...mande mais um concurso....to por voceis ai
Gostei da brincadeira....acho que dá prá incrementar mais...vou achar um vídeo legal...e pensar em mais detalhes pro nosso joguinho...
Ah...amanhã resolvemo ok? A coisa foi meio ligeirim assim pq to pifada já>
E acho que essa coisa toda aqui merece mais uns posts e dá mais pano prá manga..
-
segunda-feira, junho 13, 2011
Ainda preparando pro gran resultado!
Enquanto eu vou escrevinhando minhas urubuservações , assistama mais um vídeo sobre cavalos e ferreiros. É de um friend. O Endospink. E vai servir prá eu exemplar também o que tenho prá falaire a respeito do concurso e seus comentaristas..
Ah e se receberem uma luz, comentem! Compartilhem! Faz bem...
Enjoy!
Ah e se receberem uma luz, comentem! Compartilhem! Faz bem...
Enjoy!
No forno
Ai amiguinhos fissurados por cavalos como eu.
To analisando os comentários com carinho e preparando um texto bem bacana (espero que mais gente ache isso além de mim) sobre o que eu sei e sobre o que eu vi .
Não percam....mais vai demorar viu?
Inté
To analisando os comentários com carinho e preparando um texto bem bacana (espero que mais gente ache isso além de mim) sobre o que eu sei e sobre o que eu vi .
Não percam....mais vai demorar viu?
Inté
sexta-feira, junho 10, 2011
Pistas pro concurso!
Gentem to adorando as observações e comentários de voces!
É muito bacana! O que tá valendo muito prá mim não é o quando cada um sabe ou não sabe. O que tá me deixando entusiasmada com a coisa toda é a possibilidade de ver gente pensar sobre as coisas. Que se estude o comportamento e as relações buscando conhecimento real das atitudes, suas causas e consequencias. Só isso é que nos traz competencia para explorar toda a potencialidade do binômio homem/cavalo (uia!).
Vou dar umas pistas prá quem tá meio travado ai com o litle movie...
- como voces acham que o cavalo está? assustado? nervoso? com medo do ferreiro? inquieto? inseguro? agressivo? violento? pé no saco?
- e o ferreiro? agitado? com medo? inseguro? agressivo? bruto? inexperiente? impaciente?feio? bonito?
- o que levou voces a acharem isso?
Vam lá! Esquentem a cabeça até as caspas virarem Mandiopã (ou Fandangos, pros mais novim....)
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Monty Roberts
Postado por
Denise Bicca Fernandes
quinta-feira, junho 09, 2011
quarta-feira, junho 08, 2011
CONCURSO
Vamos falar sério um pouquinho.
Cavalos são cavalos, homens são homens.
Vou dizer outra coisa:
Cavalos são diferentes de homens!
Bahhhh
Como é que voces viveram até hoje sem essa informação hein? Não precisam me agradecer não!
O que?! Voces já sabiam disso?! CAPAZ!!
Então parabéns, porque tá cheio de gente por ai que lida com cavalos como se eles fossem gente. Seja julgando-os de forma antropomórfica (uia!), seja atribuindo-lhes sentimentos que são humanos.
Nao acreditam? Vou exemplar:
- há pessoas acham que o cavalo deveria entrar em um reboque de primeira apenas porque elas precisam ir para o rodeio de Cacimbinhas e estão atrasadas. E qualquer resistencia ou demora será tomada como ofensa pessoal , teimosia, frescura, falta de laço.
- também existem pessoas que acham que comida é recompensa para cavalos, e os enchem de guloseimas, exatamente como gostariam de receber uma caixa de chocolates de presente do(a) seu(ua) namorado(a).
Agora só para eu não ficar só na resmungação, vou descrever aqui de quando em veiz alguns aspectos importantes dos cavalos por aqui de quando em veiz ok? Características comportamentais importantes que devemos conhecer bem para nos comunicarmos de forma eficiente com eles.
Vou postar um videozim hoje e aguardem amanhã o próximo capítulo com o que quer dizeire o que o cavalim feiz...
Tive uma idéia agora! Vamos ver se funciona. Façamos um concurso aqui! Quem mandar a melhor explicação para a atitude que o cavalo demonstra no vídeo ganha ok?
Vou ler as respostas (mandem via comentário aqui mesmo) e segunda feira sai a resposta e minha análise dos comentários recebidos.
O premio? hmmmm Podem pedir o que quiserem, usem a imaginação. E eu dou se der...
Cavalos são cavalos, homens são homens.
Vou dizer outra coisa:
Cavalos são diferentes de homens!
Bahhhh
Como é que voces viveram até hoje sem essa informação hein? Não precisam me agradecer não!
O que?! Voces já sabiam disso?! CAPAZ!!
Então parabéns, porque tá cheio de gente por ai que lida com cavalos como se eles fossem gente. Seja julgando-os de forma antropomórfica (uia!), seja atribuindo-lhes sentimentos que são humanos.
Nao acreditam? Vou exemplar:
- há pessoas acham que o cavalo deveria entrar em um reboque de primeira apenas porque elas precisam ir para o rodeio de Cacimbinhas e estão atrasadas. E qualquer resistencia ou demora será tomada como ofensa pessoal , teimosia, frescura, falta de laço.
- também existem pessoas que acham que comida é recompensa para cavalos, e os enchem de guloseimas, exatamente como gostariam de receber uma caixa de chocolates de presente do(a) seu(ua) namorado(a).
Agora só para eu não ficar só na resmungação, vou descrever aqui de quando em veiz alguns aspectos importantes dos cavalos por aqui de quando em veiz ok? Características comportamentais importantes que devemos conhecer bem para nos comunicarmos de forma eficiente com eles.
Vou postar um videozim hoje e aguardem amanhã o próximo capítulo com o que quer dizeire o que o cavalim feiz...
Tive uma idéia agora! Vamos ver se funciona. Façamos um concurso aqui! Quem mandar a melhor explicação para a atitude que o cavalo demonstra no vídeo ganha ok?
Vou ler as respostas (mandem via comentário aqui mesmo) e segunda feira sai a resposta e minha análise dos comentários recebidos.
O premio? hmmmm Podem pedir o que quiserem, usem a imaginação. E eu dou se der...
segunda-feira, junho 06, 2011
Sou sortuda mez, desculpa!
Ganhei um presente neste findi!
A reportagem que saiu na Donna que a Patrícia Lima fez a sobre o meu trabalho ficou tão bacana, mas tão bacana que até eu to louca prá me conhecer!
Não consigo imaginar como ela consegue pescar e compor um texto tão bacana sendo que foram 4 horas que falei sem parar, deu até pena deles! Ela já me ganhou no início, quando colocou na reportagem uma coisa que para mim é fundamental: que tudo o que ela viu e ouviu está ao alcance de quem quiser, é só ter paixão e se dispor a suar a camiseta como eu suei.
E as fotografias então? O seu Ricardo Chaves, o Cadão, é o ninja das lentes! Quanta foto linda, cruzes! Sem contar que é uma figura e tanto! Parece um fotógrafo saido de um filme! Com direito a jaqueta de bolsinhos, barbão, supermáquina no pescoço e cachimbo. O cara já viajou o mundo! (inveja).
Fiquei fã deles. Me senti privilegiada pela a oportunidade que eles me proporcionaram para me exibir mais um pouco com meus cavalos, mostrando tudo o que eles me ensinaram até agora!
Mas também, não tinha como dar errado, com três tipos como eles envolvidos na tarefa, é bilhete premiado na certa! Patricia, Cadão e Quali! Obrigada viu? To devendo uma procês, não vou me esquecer nunca!
domingo, junho 05, 2011
PACIÊNCIA x PORRADA
Bueno, vamos tentar esclarecer uma coisa.
To sempre ouvindo depoimentos de pessoas por ai do tipo:
- tentei com paciência, carinho, não resolveu, deitei-lhe o cacete.
- ele apanhou muito, pirou, se machucou, agora peguei ele. Tentei com amor e paciência, mas quebrei o braço e o nariz em 3 partes, por isso não vou poder mais trabalhar ele...
O problema é que quando se opta manejar um cavalo traumatizado ou difícil de forma não violenta, por muitas vezes as pessoas contam apenas com paciência, e isso é pouco. Essencial mas insuficiente. Muitas vezes também, os violentos afirmam: tentei com paciência e não deu certo. Logo,essa baboseira ai não funciona, é coisa de muiézinha, de gringo, não funciona com os nossos cavalos, com a nossa lida.
Acontece que para bater, intimidar, agredir, o homem é formado com louvor, pós-graduado e com doutorado na matéria. Mas quando a opção é sem o uso do pau, são piores que analfabetos no sobral. Só conseguem acoierar uma meia-duzia de palavras e a coisa fica capenga para caramba.
Não sei se já falei antes, mas nunca é pouco mencionar: violência não é a resposta, mas não ser violento não é o suficiente!
Uma técnica adequada para trabalhar com cavalos envolve muito treinamento, sensibilidade e ciência.
NATURAL HORSEMANSHIP é a ARTE e a CIENCIA de trabalhar COM o cavalo de acordo com a sua natureza.
Arte porque envolve sensibilidade, sentimento. Por isso não sei o que responder quando classificam as coisas feitas por tantas pessoas em rótulos : racional, tradicional, índia, marciana, ortodoxa, adventista do 7 dia dos pastores alemães ... e escolhem qual título funciona ou não. Para julgar isso, é preciso ver o homem em ação e ouvir o que cavalo achou. Somente o cavalo pode responder o que funciona ou não. Futebol todo mundo pode jogar... mas....
Trabalhar com um cavalo é como tocar um instrumento, você pode estar afiado tecnicamente, mas somente isso não é o suficiente, precisa haver sensibilidade para ultrapassar os limites, tocar o coração e elevar o espírito.
Ciência porque envolve metodologia, prática sistemática e é estatísticamente representativa
E finalmente trabalha COM (COM! E não O) o cavalo de acordo com a sua natureza – seus instintos, comportamentos e personalidade individual porque ele é o centro da nossa história.
Pronto, essa é a fórmula do sucesso para nós.
sexta-feira, junho 03, 2011
IMPLACABILIDADE (não é sobre o DETRAN!)
To de cama....com os olhos doendo. Nahhhh não é conjuntivite não! Eu machuquei os zóinho foi num concurso de salto que fui ontem... nem colírio tá dando conta.
O concurso, muito chique como sempre, com roupas vipérrimas, material de primeira, cavaleiros elegantes, cavalos importados. Estava com muita saudade do rebuliço do qual fiz parte durante uma época importante da minha vida e que sinto falta. I miss a competição, a adrenalina, a superação, até do nervosismo do padock.
Fiquei vendo o pessoal aquecer seus cavalos para a prova de 1.30m... Prova desta altura, para vocês terem uma idéia, não é para qualquer matungo, homem ou cavalo saltar. Até é possível, um cara matungo com um cavalo bom ou um cavalo meio matungo com um cara muito bom conseguirem sair vivos de um percurso desses, principalmente quando é indoor (em picadeiro coberto, seus colonos!), que é mais exigente normalmente pelas dimensões reduzidas da pista, mas cavalo matungo e cara abombado, pode ser sinal de tragédia a vista...
Voltando ao aquecimento, me chama a atenção um cavaleiro auxiliado por seu super escudeiro, monta recebendo pezinho, ou melhor, um joelhinho... senta tão delicadamente na sela que pensei...nossa que beleza...uma suavidade de bailarino clássico! Parecia um pas de deux , o tratador o elevando para pousá-lo com delicadeza e muita classe na sela. Claro que o moço cuida bem do seu traseiro pensei eu, afinal, ganha dinheiro com ele não é mesmo? Ri sozinha da minha cabeça. Já ao lado, um troglodita, bruto barbaridade, recebe também um joelhinho, dá uma bundada na sela, se sacoleja todo prá se ajeitar. Fico observado o coitado do seu pingo (importado of course...), desconfortável, recebendo esses empurrões e solavancos no seu lombo como início da longa jornada de trabalho, da maneira resignada comum a muitos cavalos. Esses dois últimos, diga-se de passagem, fazem parte do grupo “cavalo muito bão, cavaleiro ruim demais da conta”. Pena que esses cavaleiros não cuidem tão bem das suas montadas como cuidam das suas próprias bundas...com certeza teriamos padrões mais elevados no nosso hipismo.
Mas voltando à dupla cavalo/cavaleiro não matungos. Eles começaram a aquecer. Passinho, trotezinho... um capricho...um charme... Partida ao galope... perfect! Muito bonitos tecnicamente, uma calma só. Então, a égua se assusta levemente, nada demais, com uma placa ou caixa de som quando passa ao lado dela...dá um pulinho para o lado e um cabecear com uma raboneada de leve irritação...na volta seguinte, mesma coisa. O cavaleiro, que conheço de outros carnavais e que não era dos mais pacientes na minha época, continua calmo, segue concentrado. Pensei com orgulho, que beleza... evolução, progresso! Há vida inteligente sobre a sela de salto! Só mais duas voltas e ela passará a entender pro resto da vida que caixas de som não são perigosas e não ficará mais impressionada. Na verdade, ela apenas dava uma diminuída para prestar atenção na coisa, nothing else. Diminuía assim como tenho a certeza que seu cavaleiro diminui e olha com atenção ao atravessar uma rua movimentada para não ser atropelado. Ai o tempo muda, ai que dó! O cavaleiro bão não agüentou dar mais a volta seguinte com ela olhando para o objeto que a incomodava resolveu ajudá-la a perder o medo, e enfiou-lhe as esporas e agarrou-lhe da boca dando lhe umas pernadas, para passar em correria pelo local em questão. Fez isso por umas 3 voltas. Todas as vezes que ela passava pela caixa de som, lá vinha a esporada e uma correria para a frente, para resolver o problema (que a meu ver estava longe de ser um problema!); pronto...perdeu a chance....azar da égua, que de agora em diante, sempre que cruzar por uma caixa como aquela, por um instante se perguntará ... será que essa caixa de som é que nem aquela? Que fazia meu cavaleiro pirar e me cravar as esporas? É preciso eu ter cuidado! Isso acontecerá mesmo que ela nunca mais na vida (difícil) pegue um parceiro de pavio com duração de 3 voltas apenas.
Final do causo? Ela ficou mais nervosa do que estava antes, e depois de umas 5 voltas, se resignou e resolveu ter mais medo da reação do cavaleiro do que do objeto.
O problema maior para mim nisso tudo é que em função da atitude resignada desse bicho, o cavaleiro jura que foi a ação dele é que resolveu o causo, e não apesar dela. E isso causa uma confusão e um atraso absurdo na compreensão da mente eqüina pelos pilotos, da evolução das técnicas de trabalho com os cavalos.
Ai que dor me dá ver isso...cada vez fica mais complicado para mim olhar cenas de pura ignorância, analfabetismo sobre a natureza eqüina, uma cegueira absurda dos cavaleiros. Me estragou uma noite que estava tão boa. Mas é como eu estar olhando sob lentes diferentes da grande maioria ali. Lentes que eu ganhei, busquei e mereci, e que antes de usá-las, não enxergava dessa forma também! O cavaleiro está cego! Toma a cisma da égua como pessoal, teimosia, desobediência. Irrita-se e desce o cacete. Não é isso! Caraleo! É medo! Apenas MEDO! Só isso! Ninguém resolve medo apanhando! Pode superar, mas o medo fica ali, esperando, uma hora ele aparece e cobra a sua dívida.
Bem que os cavalos poderiam ser um pouco menos generosos né? Cobrar mais e serem menos cobrados. Afinal, os cavalos evoluíram ao longo das eras em função da implacabilidade (UIA!) de seus predadores....quem sabe se os homens fossem tão exigidos pelos cavalos como é o inverso, se puxariam mais não é? Porque é como eu digo... não há treinadores ou tratadores de leões ou de cobras ruins...estão mortos né mez?
Santa injustiça Batman.
segunda-feira, maio 30, 2011
Vou começar a roubar...
Pois ói, tava lendo algumas coisas sobre cavalos, treinadores, entrevistas, matérias, coisas que andam aparecendo em novas revistas, internet e cosetal.
Primeiro devo dizer que fico muito feliz com a quantidade de material disponível nowadays, porque sou órfã da revista Hippus... que quando desapareceu, ficamos com nada nas bancas de revistas para alimentar nosso vício. Imaginem isso acontecendo num mundo sem internet, Google, horsemen ou bem estar animal na moda....
Pois é acreditem, esse mundo existiu e eu vivi nele pelo menos por 30 anos!
Segundo, preciso dizer que fico muito triste ao constatar que papel e internet, assim como os cavalos, aceitam muuuuita baboseira. Aff me irrita horrores!
Mas tomei uma decisão... Vou roubar perguntas que fizeram para outros horseman, para treinadores e demais entendidos. Não vou ficar parada aqui esperando prá perguntarem prá mim não! Vou roubar mesmo, na carinha! ... Não vou me abastecer de dar minha opinião não, como diria um sábio tratador meu. Assim talvez eu fique menos frustrada com o desperdício de ótimas perguntas e espaço midiático (existe?) importante e com as pérolas de respostas que ando lendo e assistindo por ai afora!
Ah que maravilha ter um blog poder responder a perguntas que fizeram a outros....espero que isso não seja crime!
Eu nunca apanhei do meu pai, minha infância foi bem bacana excetuando o fato de eu ser gordinha, alvo fácil para os bullyngadores de plantão... mas aquilo era coisa que eu resolvia e muito bem diga-se de passagem, de duas maneiras, ou na porrada ou na piada. Cresci com cavalos e sendo treinada pelos meus papis e professores a buscar respostas sempre na ciência, através de fontes apropriadas e competentes, na estatística representativa, e no bom senso para distinguir o que não fosse isso. Também aprendi a não aceitar injustiças, comigo ou com outro qualquer, gente ou bicho. Desde criança já tinha uma tendência a ser defensora dos fracos e comprimidos.
Não sou famosa o suficiente para merecer muito espaço na mídia (ainda...aguardem que eu chego lá) mas apesar de não ter sido saco de pancada de ninguém, acredito profundamente que violência não é a resposta! Só que também tenho convicção de que isso apenas não é o suficiente! Para trabalhar bem com cavalos, não ser violento é apenas um preceito básico. Assim como paciência, que é uma qualidade facilitadora, mas não fundamental. Se eu fosse fazer um ranking do que é preciso para trabalhar bem com cavalos, eu diria que seria PAIXÃO, CONHECIMENTO CIENTÍFICO E EGO BEM DOMADO. O resto é ter disponibilidade e ouvidos muito limpos. O primeiro para poder treinar-se diaria e incansavelmente, e o segundo para ouvir o verdadeiro professor dizer se estamos no caminho certo ou temos que voltar atrás e pegar a outra direção.
Então vamos lá começar a roubar perguntas... guenta ai que já posto a primeira.
segunda-feira, maio 23, 2011
quarta-feira, maio 18, 2011
APAIXONEI
Eu não disse que ia ter um baita aliado prá me ajudar por aqui?
Neste caso um baita não tão baita...
A pequena tem um coração enorme, nem sei como cabe naquele corpinho.
Chegou fazendo escandalo, não conhecia cabresto muito menos reboque.
Entrou na marra, o próprio dono confessou que cagoulhea pau para que entrasse no reboque, mas a generosidade dela é demais!
Me apaixonei. To tentando levar ela comigo , mas tá complicado...vou precisar de ajuda.
Cheguei a propor que ela se tornasse a garota propaganda da Purina, doravante Essence...mas não colou muito. Já pensou, Madame Essence?
Mas a tenteada é livre...amanhã vou para Manaus.
Vou dormir que a coisa foi casca...
Neste caso um baita não tão baita...
A pequena tem um coração enorme, nem sei como cabe naquele corpinho.
Chegou fazendo escandalo, não conhecia cabresto muito menos reboque.
Entrou na marra, o próprio dono confessou que cagoulhea pau para que entrasse no reboque, mas a generosidade dela é demais!
Me apaixonei. To tentando levar ela comigo , mas tá complicado...vou precisar de ajuda.
Cheguei a propor que ela se tornasse a garota propaganda da Purina, doravante Essence...mas não colou muito. Já pensou, Madame Essence?
Mas a tenteada é livre...amanhã vou para Manaus.
Vou dormir que a coisa foi casca...
segunda-feira, maio 16, 2011
E lá vou eu ( L-Á V-O-U E-U...)
Posentão.
To de viajem!
Dicapoco, como diria meu papis entro num avião com destino à Imperatriz, MA. Na verdade, Rio de Janeiro, Brasília, Imperatriz, Brasilia, Manaus, São Paulo e back to Lami city, Porto Alegre.
Por enquanto estou na mamis fazendo o que mais gosto depois de estar com cavalos ou falar sobre eles...que é exatamente nada, debaixo das cobertas, com a Tinga...viajando é na Helmmans.
Mas sobre a viagem, é a Purina que me chamou para dar palestras e demonstrações em algumas cidades pra quelas bandas de lá.
Não faço a mínima idéia de tipo de pessoas encontrarei, nem que modalidade praticam ou se são profissionais, criadores, leigos, veterinários...Tarzan, Jane, Jacques Costeau...mistério total para mim!
Mas pensando na aventura que estou embarcando o que eu acho tri é que uma certeza absoluta eu tenho! Certeza de no mínimo no mínimo uma experiência maravilhosa eu vou ter. Mesmo que todo o resto seja estranho, lá vou encontrar um cavalo e vamos trabalhar juntos e tentar fazer o melhor possível para contar a nossa história para quem estiver assistindo.
Com um cavalo como colega de trabalho, não tem tarefa difícil!
Agora tenho que ir, fazer malas, comprar meias, um par de brincos, Sundoouwnm repelente, 3 camisetas novas, um beijo na Tinga e pro aeroporto.
Confiram os próximos capítulos de “Onde o cavalo me levar!”
domingo, maio 08, 2011
quinta-feira, abril 28, 2011
Mais um causo
Aff que meu trabalho tá na maior entressafra da história...ô tédio sô.
Os cavalos aqui de casa estão todos muito “normais”, todos uns queridos, não tem mais maluco, nem desinducado. Ô saco...
Prá vocês terem uma idéia, a coisa mais emocionante que me aconteceu nesses últimos tempos foi quando um sapo que estava de tocaia na pia da minha cozinha me atacou. No exato momento em que fui lavar um prato, abri a torneira e salta ele com suas garras, tentáculos, ventosas, mãos e pés de um verde aterrorizante na minha direção! Na direção da minha barriga! Se eu não tivesse sido muito rápida ele me pegava! Agora o demônio verde anda por ai, surdo que nem uma porta, mas sempre me espreitando... só que não vacilo mais, to sempre de olho nele! (By the way, sempre achei esse negócio de lavar louça uma coisa perigosa prá caramba...)
Então... voltando à monotonia da minha rotina sem grandes desafios...
Ontem um cliente me procurou, estava com problemas com o novo cavalo que comprou para a sua filha, pois ele não entrava em reboques sem que houvesse uma boa briga antes, e tinha que ser de 5 prá cima dele. Como meu cliente tem mais de um neurônio, viu que isso não estava certo, tentou de forma mais tranqüila, mas apanhou, resultando em um dedo atorado (dele) e uma pata cortada (do cavalo)...ai me chamou.
A saga do cavalo é meio longa, ó coitado, mas para resumir, tinha fama de furioso, psicopata, agressivo, canibal e estelionatário, mas os novos donos não viam nada disso, viam apenas um cavalo sofrido e muito assustado (existe esperança do mundo dos cavalos).
A essa altura eu já estava babando no telefone! A SECA ACABOU! Aventura e desafio pela frente ebaaa! Beleza, fui assim que pude trabalhar com o póbixo.
Que decepção!
Não teve nem suor, demorou uns 15 minutos prá colocar ele no reboque, sem nem uma bolhinha na mão prá contar história, nem ao menos um roxinho nos meus braços. O dito cujo, além de lindo era um querido!
Agora, antes que vocês pensem que essa história toda é pra eu me gabar, contar vantagem, me agrandar, não é nada disso! Juro!
É sempre sobre o cavalo! É prá contar prá vocês que eu já levei mais de 3 horas prá carregar cavalo em reboque, cavalos exatamente como esse. Só que desde aquela época eu já tinha me convencido que incapaz, burro, teimoso, medroso, irritante é sempre o cerumano (adoro!) mesmo e não o cavalo. E essa convicção é que me fez correr atrás para me treinar e me capacitar para poder carregar cavalos em 15 min e não levar o dia inteiro.
E mais uma coisa, é prá contar que tudo o que fizeram com esse cavalo para que ele entrasse no reboque até ontem foi exatamente o que o atrapalhou para ele entrar no reboque!
Sabem como eu sei disso? Ele me contou, e cavalos não mentem.
Uma prova disso foi a divisão do tempo gasto para carregar o nemar cavalar no reboquis:
Mostrar a tarefa para ele e ele entender o que eu queria: 30segundos
Provar para ele que eu não ia atrapalhá-lo: 14min 30 seg
Dá prá desconfiar né?
Prá concluir, a competência, elegância e generosidade desse cavalo me fizeram pensar no tipo de pessoas que trabalharam para torná-lo o cão chupando manga. Acho que eles deveriam andar com 2 reboques, um para o cavalo e um bem grande para carregar o ego e o umbigo deles.
E tenho dito.
sexta-feira, abril 01, 2011
sexta-feira, março 25, 2011
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